segunda-feira, 1 de junho de 2009

tem mas tá faltando...

no mundo inteiro, deve haver pouquíssimos lugares com fauna tão rica quanto são paulo. basta andar na rua e você nota que por aqui trafegam livremente seres das mais variadas espécies, ou como diria minha amiga dayana, pessoas humanas de todos os tipos. é fantástico. desde que amarrei meu jegue aqui em sampa, posso dizer que já vi de um tudo. já vi cearense descendente de alemão, filho humilde de carioca com argentino, judeu desapegado de bens materiais, casal careta de pernambucana com jamaicano, maranhense que nasceu na Itália (hein?), trabalha no amazonas e vive em dubai, bahiano workaholic, japonês com sotaque de gaúcho, e até acreano dizendo que existe. digaí que muderno.

essa cidade tem de tudo. ou melhor, quase tudo. porque tem um espécime raro, bem dizer extinto dos núcleos sociais vulgares, que ao vivo, assim de pertinho mesmo, eu nunca vi não. você por acaso conhece algum paulistano puro? sim... paulistano puro, ariano, daquele que nasceu, cresceu, estudou e passou férias em são Paulo. tem não truta. e se tem, alguém por favor me diga onde essas pessoas foram parar. fico achando que todos eles estão presos num engarrafamento qualquer na marginal tietê, buzinando loucamente. nos fins de semana, eles devem ficar todos entulhados nas arquibancadas do pacaembu, ou correndo em círculos no ibirapuera. ou nas filas de restaurantes caros. aliás, em qualquer fila. dizem que paulistano adora uma fila... eu, como boa pernambucana que sou, morro de medo de fila. e, cá entre nós, também temo pelo dia em que cruzarei o caminho de um paulistano puro. sei não... não se pode esperar atitudes equilibradas de alguém que nunca apanhou brincando de cuzcuz, nunca catou tatuí na areia da praia, nunca chamou a mãe do melhor amigo de puta velha e nunca saiu pra brincar e voltou com o pedaço de pixe colado na orelha. sabe o que eles fazem no verão? põem uma bermuda, um tênis e saem por aí com a meia esticada na canela.

terça-feira, 19 de maio de 2009

pelo nosso próprio bem

outro dia eu tava no ônibus morrendo de vontade de fazer xixi. sem perder a concentração, rezava pra santa genoveva liberar o trânsito e eu poder chegar em casa logo e pensar em outra coisa que não fosse minha bexiga explodindo e destruindo a terra. com um esforço enorme, consegui controlar minha mente e imaginei que não, o coletivo não estava saculejando pra lá e pra cá e não, não se passaram trinta minutos até chegar em casa. foram só cinco. ah, o poder da mente... graças a ele e, claro, à benevolência de santa genoveva, mantive minha dignidade intacta, ou melhor, enxuta, até chegar ao aconchego do meu banheiro. que alegria, que prazer, que satisfação. deus é sábio. pra fazer a gente perceber o prazer que há nas pequenas coisas, como por exemplo uma simples mijadinha, inventou o trânsito, as ruas esburacadas e as filas de banheiro de bar. não satisfeito, limitou o uso das fraldas descartáveis a bebês e idosos. tudo pela nossa felicidade. tudo pra gente aprender a dar valor ao que realmente importa. e você fica aí reclamando que tá sem dinheiro, que tá ficando careca, que é corno... francamente, quanta futilidade... parece que nunca passou necessidade fisiológica na vida.

segunda-feira, 30 de março de 2009

é preciso saber esperar?

dia desses, carocha e chico me convidaram pra escrever minhas asneiras num blog bacana, projeto coletivo de pessoas bacanas, lido e comentado por pessoas bacanas, essa coisa toda. confesso que não entendi bem a razão do convite, mas topei na hora, óbvio. eu não sou mulher de fuleragi, não sou mulher de negar desafio. sou uma mulher valente, arre! seis meses depois, com a pontualidade que me é peculiar, cá estou eu tentando escrever meu primeiríssimo texto pro blog. confesso a vocês que estou sem assunto, sem tempo, sem inspiração e sem desodorante – caso alguém venha alegar que escrever é um trabalho de transpiração. e tem mais. minha pauta está praticamente despencando de trabalho, os prazos são todos pra sexta passada, minha tpm está bombando e a agência acaba de contratar mais um idiota pro atendimento, que sorriu efusivamente pra mim, conquistando de imediato minha antipatia. é aí que você me pergunta: sábia karina, por que você resolveu escrever justo agora? e eu te respondo: não sei, tava só esperando o melhor momento.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

eu tenho fé na piada-pronta

agora que os bombeiros já encontraram e resgataram mortos, vivos, feridos e inocentes (ainda não há sinal de culpados), acho que nós, infiéis e curiosos, já podemos especular sobre as histórias que existem ali por baixo dos caquinhos de concreto da igreja renascer. pra quem não lembra, com todo respeito, aquilo ali foi bem dizer o templo sagrado do cabaço de kaká. foi lá que o craque mais sem sal sem pimenta e sem graça do futebol mundial, digamos assim, contraiu matrimônio e entrou pro hall dos crentes sexualmente ativos. é pra lá também que kaká, cristão resignado que é, envia religiosamente 10% do seu gordo salário. eu não sei quanto ele ganha, mas chutando... vamos supor que, só de salário, o kaká ganha uns 3,5 milhões por mês (deus é bom, kaká! deus é bom!). sendo assim, todo mês, são 350 mil caindo lindamente na conta da igreja renascer. um investimento seguro, promissor, coisa de gênio. afinal de contas, é notório que o mercado imobiliário celestial está com fortes tendências de valorização. basta reparar na babilônia em chamas que se tornou nosso velho reino dos mortais e, principalmente, no sem-número de vips e famosos que está investindo no setor. e olha... se lá no céu for igual aqui na terra, basta chegar uma celebridade, que a área valoriza horrores. é batata.

eu não sei exatamente como funciona a divisão dos lotes mas, quem compra um lugarzinho no céu, não compra um lugar assim aleatoriamente... a turma paga caro e quem paga caro quer lugar na frente né. eu, se fosse evangélica, não pensava duas vezes, tratava logo de descobrir onde danado fica esse terreno do kaká e comprava um do lado, assim miudinho mesmo, do tamanho do meu dízimo, e ficava na minha. uns dez anos depois, vendia o terreno a preço de ouro e ficava por aqui mesmo pelo purgatório, o verdadeiro templo do além-vida mundana. vê que idéia da porra. eu, mortinha da silva, morando bem no purgatório e cheia de dinheiro no bolso pra gastar com meus amigos. sim, porque os meus amigos, graças a deus, não pagam dízimo, só se interessam pela ascensão do tipo social e nunca iriam pra uma festinha na minha casa sabendo que eu sou vizinha do kaká. aposto um lugar no céu que, com 15 minutos de festa, ele ia ligar lá pra casa reclamando do barulho.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

a melhor invenção do mundo

não é que eu seja uma pessoa volúvel... quer dizer: não é só porque eu sou uma pessoa volúvel, mas os acontecimentos recentes me obrigaram a mudar algumas opiniões que eu considerava certezas absolutas. minha invenção preferida, por exemplo, deixou de ser o ar-condicionado. agora eu rezo um terço todos os dias pela alma do cara que inventou o chuveiro elétrico. nem sei se meu banheiro tem chuveiro elétrico ou se é aquela paradinha que esquenta a água a gás, mas não importa. se alguém um dia teve a intenção de inventar qualquer coisa que transforme água gelada torturante em água quente relaxante, já merece minha devoção. sr. inventor do banho quente, glória a vós senhor.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

efeitos da lei seca

é foda. eu passo a vida inteira andando de ônibus e mendigando carona pra beber com os amigos e quando, finalmente, eu consigo comprar meu carro, eis que murphy resolve mostrar serviço e aprova a lei seca. gentchy, na boa... meu mundo caiu. pra que serve um carro senão para fazer o traslado casa-night/ night-casa? se for só pra trabalhar, eu prefiro pegar um busão (mentira)! o que devo fazer? parar de beber e encarar o mundo sóbrio entediante? conhecer as pessoas como elas realmente são? jamás! ok, ok.. vamo parar por aqui. porque se o tema continuar girando em torno dos efeitos da lei seca sobre minha vida, a gente vai acabar terminando a conversa numa mesa de bar... e como eu sou uma pessoa altruísta (mentira de novo), tenho que confessar que os impactos sociais dessa lei seca também me preocupam. o casamento, por exemplo, instituição que há muito já estava com os dias contados, vai desaparecer da sociedade de uma vez por todas. claroooo! pense comigo. marido e mulher decidem sair pra jantar, mas só um dos dois pode beber. antes mesmo de sair de casa, já vai rolar uma briguinha pra decidir quem bebe e quem fica de cara. mesmo se o casal apelar para recursos muito justos ( par ou ímpar, por exemplo), quem perder já vai sair de casa de mau humor. mas enfim... digamos que o marido ganhou e a mulher perdeu (só pra ilustrar hein, pessoal!). o caba chega logo no restaurante pedindo um whisky duplo e a mulher, coitada, fica em dúvida entre uma coca light e uma água com gás. duas doses duplas depois, as coisas começam a clarear. ela nunca havia reparado como o marido fala alto e gesticula o tempo todo na mesa. putz! ele cospe quando fala... e pior, fala várias vezes sobre o mesmo assunto. meu deus, como eu fui casar com esse homem? não demora muito e ele já está olhando pro decote da mulher na mesa ao lado... a esposa fica indignada, levanta, pega um taxi e vai embora. ele, coitado!, fica sozinho com o jantar, um restinho de coca light e a chave do carro.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

verticalização da moda praia

saiu na capa da veja são paulo. adriane galisteu tem 1.200 biquínis. galera, pára tudo. miiiiiil e duzeeeentos biquínis! são 3,28 biquínis por dia! isso quer dizer que ela pode tomar café com o biquíni de florzinha, almoçar com o de listrinha, jantar com o de bolinha e, de quebra, ainda rola um tapa sexo nos intervalos das refeições. é biquíni pa caraaaalho. não, sério... o que a gente pode esperar de uma pessoa dessa? no mínimo, que ela trabalha como salva-vidas em ibiza. no máximo, que ela tem seis vezes mais periquitas do que eu. aí cabe a você imaginar onde elas estariam localizadas. pelo menos uma em cada suvaco eu acho que tem... ah, vale lembrar que não estamos falando de gisele bunchen nem de, sei lá, natalie portman. é adriane galisteu, aquela apresentadora de tv cujo gosto duvidoso você já deve conhecer das revistas de salão de beleza. ela mesma: adriane galisteu, a rainha da virilha. não sei se é defeito físico aquela virilha descomunal, deus me perdoe, mas que é estranho é. se você não lembra, põe aí o nome dela no google. a primeira foto de biquíni que aparecer, você imediatamente vai pensar "meu deus, uma virilha". aí fica lá aquela imagem desagradável, não sei explicar... acho que falta pano na horizontal e sobra na vertical... o umbigo fica flutuando e, blé... vertical demais, demaaais. mas, no fundo no fundo, eu acho que é tudo jogada de marketing. no meio de tantas apresentadoras loiras, magras, saradas e cheias de conteúdo, ela tinha que mostrar um diferencial. tudo bem, não precisava mostrar assim com tanta ênfase... mas vamo respeitar, né? cada um luta com as armas que tem.